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Selo ou não sê-lo

  • Foto do escritor: Angelo Davanço
    Angelo Davanço
  • há 12 minutos
  • 1 min de leitura


Assim fica fácil. Vocês deixam prum designer lá do outro lado do mundo resumir seus sentimentos pra pessoa amada. Eu sou da geração roots nessas paradas. Escrevia cartas de amor.


Tentar descrever, aos 20 anos de idade, como um coração judiado pela cachaça e saudade se sentia pra namorada distante não era para fracos. O negócio envolvia a escolha da trilha vinílica matadora e, caso não estivesse de ressaca, uma ampola gelada de prontidão. Hoje em dia, qualquer caretinha redonda explica tudo pelo zap e a resposta vem faceira e rápida no segundo seguinte.


Imagina desmontar a alma feito uma alcachofra é só ficar sabendo se a resenha surtiu resultado na semana seguinte, quando TALVEZ voltasse a missiva-resposta feito um bumerangue ameaçador. Sim, tinha o telefone, mas se a DR era iniciada pelos Correios a regra era turva mas visível: continuaria tendo o seu carteiro como mediador. E a gente ficava parça dos carteiros, alguns desenvolviam até o know how dos barman e psicólogos donos de buteco.


Eu usava todas as armas disponíveis: desenhava cartões, cometia poemas improváveis e até quadrinizava os dramas da ciumeira. E querem saber? Era bom demais!


Hoje, os emojis ditam e mediam desinteligências e possíveis saliências, mas fiquem ligados: Um 💔 pode ser sucinto, mas o estrago é igual à letrinha borrada de lágrima no papel.

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