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Saúde do homem deve ter atenção o ano todo, alerta especialista

  • Foto do escritor: Angelo Davanço
    Angelo Davanço
  • 22 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Hábitos saudáveis e consultas periódicas são essenciais para reduzir diagnósticos tardios e evitar mortes evitáveis, explica o urologista Luís César Zaccaro


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Com o Novembro Azul chegando ao fim, a discussão sobre a saúde masculina volta a correr o risco de ser esquecida até o próximo ano. Para o urologista e uro-oncologista Luís César Zaccaro, no entanto, esse é justamente o ponto crítico: transformar uma campanha de trinta dias em um compromisso para o ano todo.


Pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revelou que 46% dos homens acima de 40 anos só procuram atendimento médico quando apresentam sintomas, percentual que chega a 58% entre aqueles que dependem exclusivamente do SUS.


O estudo mostrou que apenas 32% dos entrevistados se consideram muito preocupados com a própria saúde, embora metade admita sentir medo ou ansiedade quando pensa sobre ela. Para o especialista, esses números explicam boa parte dos diagnósticos tardios observados na prática clínica.


“É comum o homem adiar a consulta, tentar resolver sozinho ou acreditar que o problema vai desaparecer. Essa postura afasta a possibilidade de detectar doenças em fases iniciais, quando o tratamento é mais simples e as chances de cura são muito maiores”, afirma Zaccaro.


O levantamento da SBU também demonstrou que o câncer de próstata é a doença urológica que mais provoca medo nos homens, citado por 58% dos entrevistados, seguido pela impotência sexual (37%). Paradoxalmente, embora o temor exista, muitos ainda não realizam os exames preventivos recomendados, como PSA e toque retal. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que o Brasil registra um novo diagnóstico de câncer de próstata a cada oito minutos e uma morte a cada 40 minutos, demonstrando a dimensão do problema.


Zaccaro explica que o câncer de próstata costuma ser silencioso em suas fases iniciais, o que faz com que a ausência de sintomas não seja um indicador de saúde. Para ele, crenças culturais e comportamentais influenciam o afastamento dos homens das rotinas preventivas. Muitos têm receio de parecerem frágeis, outros sentem vergonha do exame, e uma parcela importante simplesmente não prioriza o cuidado consigo mesmo. Questões emocionais, como medo do diagnóstico, somam-se à desorganização cotidiana e ao desconhecimento sobre riscos, criando um cenário em que a prevenção se torna exceção, não regra.


No Brasil, o homem vive em média sete anos menos do que a mulher, e grande parte dessa diferença está ligada a doenças que poderiam ser evitadas com prevenção e acompanhamento regular. “A mulher cresce em contato com o ambiente de cuidado, indo ao médico desde a infância. O homem não. Quando chega à idade adulta, ele já está mais distante dessa relação. A educação em saúde precisa começar mais cedo e ser mantida ao longo da vida”, observa o urologista.


Rotina de prevenção

O especialista destaca que pequenas mudanças de comportamento, incorporadas de maneira contínua, reduzem significativamente o risco de doenças. Hábitos como praticar atividade física, manter alimentação equilibrada, controlar o peso, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, dormir bem e realizar consultas periódicas são pilares que beneficiam não só a próstata, mas todo o organismo. Ele ressalta que homens acima de 45 anos, ou a partir dos 40 anos no caso de grupos de risco, como pessoas negras ou com histórico familiar, deveriam manter acompanhamento regular com o urologista.


Embora os tratamentos para o câncer de próstata tenham avançado significativamente, incluindo técnicas como cirurgia robótica e vigilância ativa em casos selecionados, Zaccaro afirma que nenhuma tecnologia substitui o impacto de um diagnóstico precoce. “Temos recursos modernos e seguros, mas eles só fazem sentido quando o paciente chega antes da doença avançar. A prevenção não é apenas sobre evitar enfermidades, mas sobre garantir qualidade de vida, autonomia e futuro”, diz.


Para o urologista, o desafio após o Novembro Azul é manter o tema vivo no cotidiano. Isso envolve estímulo dentro das famílias, em ambientes de trabalho, escolas, comunidades e campanhas de saúde pública. A mudança cultural, segundo ele, será determinante para reduzir as estatísticas que ano após ano colocam os homens entre os grupos que menos se cuidam. “Cuidar da saúde é um ato de responsabilidade pessoal e com quem está ao nosso lado. Não podemos limitar essa reflexão a um único mês”, conclui.


Sobre o especialista

Dr. Luís César Zaccaro é urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico. Mestre em Oncologia pelo Hospital de Amor de Barretos, é chefe do Ambulatório de Uro-oncologia da Santa Casa de Ribeirão Preto, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo, diretor do GEURP – Grupo de Estudos em Uro-Oncologia de Ribeirão Preto e referência nacional em cirurgia robótica, atuando também como proctor e palestrante em congressos no Brasil e no exterior. | Foto: Fabio Di Felippo

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