Por que muitas mulheres sentem mais desconforto íntimo no Carnaval
- Angelo Davanço
- há 4 horas
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Mudanças na rotina, desidratação e hábitos comuns da folia podem agravar sintomas urinários e intestinais; fisioterapeutas orientam cuidados simples para prevenir desconfortos

Além da diversão, o calor intenso, longas horas fora de casa, mudanças na alimentação e na rotina de hidratação também fazem parte do roteiro do Carnaval. Para muitas mulheres, porém, esse cenário também vem acompanhado de desconfortos íntimos que se intensificam durante a folia - como ardência urinária, escapes de urina, gases, constipação e dor anal. Sintomas comuns nesta época de calor e folia, mas que não deveriam ser encarados como normais.
De acordo com a fisioterapeuta Josiane Pavão, que atua com saúde íntima e sexualidade, o Carnaval reúne uma combinação de fatores que sobrecarregam a região pélvica. “Desidratação, segurar o xixi por muito tempo, biquíni molhado, consumo de álcool e alimentação irregular impactam diretamente a bexiga e o intestino”, explica.
Esses hábitos, frequentes durante blocos, viagens e eventos prolongados, exigem adaptações do corpo. “A pelve responde rapidamente às mudanças de hábito”, afirma Josiane, ressaltando que a região é sensível a alterações no ritmo do dia a dia.
Para a fisioterapeuta Marielle Yali, especialista em disfunções do assoalho pélvico, um dos principais problemas é a naturalização desses sintomas. “Escapar xixi na multidão ou evitar banheiro público vira ‘normal’, mas não deveria ser”, alerta. Segundo ela, o desconforto íntimo costuma ser minimizado ou ignorado, o que pode atrasar a busca por orientação adequada.
As profissionais destacam que cuidados simples ajudam a reduzir os impactos do Carnaval sobre a saúde íntima. Manter uma boa hidratação, trocar roupas molhadas o quanto antes, respeitar os sinais do corpo e não adiar idas ao banheiro são medidas importantes para proteger a pelve durante a folia. “São atitudes básicas, mas que fazem diferença para evitar sobrecargas e desconfortos”, reforça Marielle.
Além da prevenção, a fisioterapia pélvica também tem papel fundamental no tratamento das disfunções que surgem ou se agravam nesse período, ajudando a aliviar sintomas e a devolver conforto e segurança. A orientação é observar o corpo e, diante de desconfortos persistentes, buscar avaliação especializada.

