Cirurgia robótica se expande em Ribeirão Preto
- Angelo Davanço

- 15 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Três hospitais da cidade somam mais de 2.800 procedimentos; cirurgião e pacientes comentam sobre técnica minimamente invasiva

A cirurgia robótica vive um dos períodos de maior expansão no país - e Ribeirão Preto acompanha essa tendência. A tecnologia, antes restrita a poucos centros, tornou-se mais acessível e vem transformando a assistência em especialidades como urologia, ginecologia, cirurgia geral e tórax.
No Brasil, o avanço tem ritmo acelerado. Entre 2018 e 2022, foram realizadas 88 mil cirurgias robóticas, número 417% superior ao registrado entre 2009 e 2018 (17 mil procedimentos), segundo dados divulgados pela Associação Médica Brasileira (AMB). A expansão está ligada ao aumento da concorrência entre fornecedores: o país passou de 51 para 111 robôs cirúrgicos, reduzindo em 30% a 50% o custo dos procedimentos e ampliando a presença em diferentes regiões.
Em Ribeirão Preto, desde 2019, três hospitais - um público e dois privados -, somam mais de 2.800 cirurgias realizadas até novembro de 2025, principalmente em áreas como urologia, ginecologia, proctologia e cirurgia torácica. O município concentra pelo menos 30 cirurgiões habilitados para a realização de procedimentos robóticos.
A primeira cirurgia robótica no país foi realizada há 16 anos, e desde 2022 o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamenta a prática, estabelecendo critérios para capacitação profissional e exigência de centros habilitados para alta complexidade.
Especialista aponta benefícios claros para o paciente
Para o urologista e uro-oncologista Dr. Luís César Zaccaro, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo e referência nacional na técnica, os benefícios são evidentes.
“A cirurgia robótica traz mais precisão, menos sangramento, menos dor pós-operatória e uma recuperação significativamente mais rápida”, afirma. “Ao preservar melhor nervos e estruturas vitais, ela impacta diretamente a reabilitação sexual e a recuperação da continência urinária, que são dois fatores muito importantes no tratamento do câncer de próstata”, completa.
O especialista destaca que a tecnologia combina visão tridimensional ampliada, instrumentos articulados e movimentos milimétricos. “Nosso objetivo é entregar ao paciente a mesma segurança oncológica da cirurgia tradicional, mas com menor trauma cirúrgico e mais qualidade no pós-operatório”, diz.
Pacientes relatam experiências positivas
Para muitos homens que enfrentam o diagnóstico de câncer de próstata, a possibilidade de uma cirurgia menos invasiva e com recuperação mais rápida tem sido determinante na escolha do método.
O gestor administrativo Ronilso Augusto da Silva, de 52 anos, morador em Jardinópolis, diz que a comparação entre as técnicas o levou a optar pela plataforma robótica. “Percebi que a robótica oferecia uma recuperação muito mais tranquila, com menor risco de incontinência e impotência. Isso me deixou seguro para seguir com o procedimento”, relata. “O pós-operatório foi muito mais leve do que outras cirurgias convencionais que eu já tinha feito em outras partes do corpo. Com 14 dias eu já estava trabalhando”, comenta.
Já o analista de sistemas Humberto Rosado Ribeiro, 62 anos, de Ribeirão Preto, destaca o caráter minimamente invasivo da técnica. “Quando entendi as diferenças, vi que a cirurgia robótica trazia um processo muito menos agressivo. Fiz a cirurgia em um sábado e tive alta no dia seguinte, o que me surpreendeu pela rapidez”, conta. Ele acrescenta que, passando por um período de fisioterapia pélvica, o resultado funcional teve progresso constante. “Conheci pacientes que fizeram cirurgia convencional e ainda lidavam com incontinência depois de mais de um ano. No meu caso, a evolução foi muito mais rápida”, completa.
Sobre o especialista
Dr. Luís César Zaccaro é urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico. Mestre em Oncologia pelo Hospital de Amor de Barretos, é chefe do Ambulatório de Uro-oncologia da Santa Casa de Ribeirão Preto, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo, diretor do GEURP – Grupo de Estudos em Uro-Oncologia de Ribeirão Preto e referência nacional em cirurgia robótica, atuando também como proctor e palestrante em congressos no Brasil e no exterior.





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