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Câncer de pênis: Em 5 anos, Ribeirão Preto tem 15 pacientes em tratamento

  • Foto do escritor: Angelo Davanço
    Angelo Davanço
  • há 4 horas
  • 2 min de leitura

A vergonha, o desconhecimento e a demora em procurar atendimento médico ainda estão entre os principais obstáculos para o diagnóstico precoce do câncer de pênis, uma doença que, quando identificada no início, pode ser tratada com preservação do órgão




Levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revela que 2.949 amputações parciais ou totais de pênis foram realizadas no Brasil entre janeiro de 2021 e novembro de 2025 em decorrência da doença. No mesmo período, 2.359 mortes foram registradas, segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.


Embora a maior incidência se concentre nas regiões Norte e Nordeste, o cenário também chama atenção em nível local. Dados do Painel Oncologia Brasil, do Datasus, mostram que, nos últimos cinco anos, 15 pacientes precisaram de tratamento para câncer de pênis em Ribeirão Preto, com cinco cirurgias realizadas no município entre 2021 e 2025.


Segundo o uro-oncologista Luís César Zaccaro, os números reforçam a importância da informação e da avaliação médica precoce.


“Estamos falando de um câncer amplamente prevenível e, na maioria das vezes, tratável quando identificado no início. O problema é que muitos homens demoram a procurar ajuda, seja por vergonha, desconhecimento ou subestimação dos sintomas.”

Sintomas que não devem ser ignorados

De acordo com a SBU, o câncer de pênis é mais frequente em homens com 50 anos ou mais. Entre os principais sinais de alerta estão:


  • Ferida na glande ou no corpo do pênis que não cicatriza

  • Sangramento sob o prepúcio

  • Secreção com odor forte

  • Alterações de cor ou espessura da pele

  • Ínguas na virilha


Zaccaro explica que as manifestações iniciais nem sempre são dolorosas, o que contribui para atrasos no diagnóstico.


“O paciente pode notar inicialmente uma área avermelhada persistente, uma pequena ferida ou até uma lesão com aspecto de verruga. Qualquer alteração que não cicatrize deve ser avaliada por um urologista.”

Fatores de risco

Entre os fatores associados ao aumento do risco da doença estão:


  • Higiene íntima inadequada

  • Fimose

  • Infecção pelo HPV

  • Tabagismo

  • Condições socioeconômicas mais vulneráveis


“A infecção pelo HPV é um dos principais fatores envolvidos. Por isso, a vacinação é uma estratégia fundamental de prevenção, além de hábitos simples de higiene.”

Prevenção começa na rotina

A principal forma de prevenção passa por cuidados básicos e contínuos. A SBU recomenda higiene diária com água e sabão, retraindo o prepúcio, inclusive após relações sexuais, além do uso de preservativo.


“Não é um cuidado complexo, mas precisa ser constante. A prevenção está, em grande parte, nas atitudes do dia a dia.”

Tratamento e chances de cura

Quando diagnosticado precocemente, o câncer de pênis pode ser tratado com abordagens conservadoras, preservando funções urinárias e sexuais. Em fases iniciais, podem ser indicadas biópsias, remoção local da lesão ou uso de medicamentos tópicos.


Lesões pequenas e superficiais permitem tratamentos menos invasivos e com altas taxas de cura. Já em casos avançados, podem ser necessárias cirurgias maiores, retirada de linfonodos e terapias complementares, como quimioterapia ou radioterapia.


“Nenhuma ferida no pênis deve ser tratada com vergonha ou automedicação. Quanto mais cedo o homem procurar avaliação, maiores são as chances de cura", orienta o médico Luís César Zaccaro.

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