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Avaliações


Invasor
Por Renato Andrade Quando desce a escada pela manhã já percebe sua presença. A movimentação estabanada entre a sala e a cozinha indica que o não convidado entrou e busca desesperadamente uma maneira de se retirar. É aí que o quase nonsense da situação ditará o termômetro do humor que irá nortear o dia do anfitrião, ainda e também sem prumo, provocado pela ausência do primeiro café. O teatro ali estabelecido com as duas criaturas atônitas pode provocar riso, apreensão ou inexp

Angelo Davanço
1 de mar.1 min de leitura


Era uma vez um jornal...
Por Renato Andrade O ritual de passar o café começa e vejo que acabou o açúcar. Adoçar com mel é uma excelente alternativa que de vez em quando adoto, mas o tubinho plástico não exibe nem aquele filetezinho dourado a ser raspado em seu fundo. Parto então para o sacrilégio dos baristas: resolverei a situação com uma moderada colher de chá contendo Nescau. Começa então a sinfonia dos sons. O incipiente borbulhar da água fervente, o barulhinho do líquido em choque com o frio ao

Angelo Davanço
15 de fev.2 min de leitura


Selo ou não sê-lo
Por Renato Andrade Assim fica fácil. Vocês deixam prum designer lá do outro lado do mundo resumir seus sentimentos pra pessoa amada. Eu sou da geração roots nessas paradas. Escrevia cartas de amor. Tentar descrever, aos 20 anos de idade, como um coração judiado pela cachaça e saudade se sentia pra namorada distante não era para fracos. O negócio envolvia a escolha da trilha vinílica matadora e, caso não estivesse de ressaca, uma ampola gelada de prontidão. Hoje em dia, qualqu

Angelo Davanço
8 de fev.1 min de leitura


Um quilo de consciência
Por Renato Andrade Já estava se sentindo melhor antevendo o buffet naquele restaurante por quilo que há tempos não ia, adorava ficar na dúvida entre o bolinho de arroz ou a mandioca frita, resolvia sempre pegando os dois. Ao se deparar com a vaga ali pertinho dando sopa na concorrida rua o humor deu mais uma subidinha na escala "Richter". Ultimamente era assim. Tentar sempre vislumbrar uma fresta, um fiapo, um respiro de leveza naqueles dias turbulentos e assustadores. Foi no

Angelo Davanço
29 de jan.2 min de leitura


Troféus sobre quatro rodas
Por Renato Andrade Ao longo de tantas primaveras e invernos já presenciei a cena mais vezes do que gostaria. Seja nas quebradas, no centrão ou nas sulistas grã finagens. Já envolveu proletas classe média baixa, emerjas deslumbrados e até a nata da intelectualidade uspiana. Primeiro a porrada forte na traseira, o barulho muitas vezes assombroso e metalicamente desolador. Os bólidos podem guardar em suas entranhas crianças, idosos ou enfermos a caminho de cuidados. Não importa

Angelo Davanço
25 de jan.1 min de leitura


Vai comer ou vai embrulhar?
Por Renato Andrade – Embrulha o que sobrou, vou levar pro nosso cachorro ... – Aqui senhor, aproveitei e coloquei uns ossos bons pra ele roer! A velha anedota baseada em fatos reais ilustrava o constrangimento de certas pessoas ao pedirem para embalar o que não fora consumido no almoço/jantar. Principalmente em casas de pasto metidas a besta, o ato de levar para casa em quentinhas o que foi pago, mas não totalmente devorado, sempre gerou enquetes à mesa: – Pedimos pra levar o

Angelo Davanço
10 de jan.2 min de leitura


O homem que caminha sozinho
Por Renato Andrade Eu o vejo quase todos os dias. Ele usa um chapéu, veste camiseta, bermuda, tênis, carrega uma mochila nas costas e usa óculos. De vez em quando dá uma tragada no cigarro eletrônico. Sim, isso é intrigante. Fumar enquanto se faz uma caminhada, mas não é o que me desperta curiosidade. A sua pequena mochila é que me faz devanear. Fico imaginando o que ele pode carregar ali. Água, barrinhas de cereais, fruta Sei que ele mora na redondeza. Pelos meus cálculos el

Angelo Davanço
3 de jan.3 min de leitura


Continho de Natal
Por Renato Andrade O Natal e Ano Novo programados para serem passados na vila de St. Barts foram tragicamente cancelados por causa dos probleminhas do Alonso com aquele juiz jeca lá do Sul. Para esquecer um pouco desse ridículo transtorno, aceitou o convite da turma de amigas para compras seguidas de um happy hour no shopping. Fazia tempo que não pisava nesse espaço popularesco, mas a Luzinha Estevez jurou que seria até divertido. Mas em véspera de Natal? Afff! Como também as

Angelo Davanço
23 de dez. de 20253 min de leitura


Parapopó
Por Renato Andrade Os dois recém saídos da adolescência que moram nos EUA hoje, resolveram ir a uma loja de brinquedos, daquelas bacanudas para nós tupiniquins, mas até chinfrins para os padrões trumpianos. Compraram várias armas plásticas que cospem canudos de espuma. Armaram um fuzuê daqueles no quintal entre gritos estridentes e trolagens quase incompreensíveis para quem tem mais de 15 anos. O rapaz esquenta a faca com três maçaricos e quando a lâmina já está laranja como

Angelo Davanço
23 de nov. de 20252 min de leitura


Digite sua senha
Por Renato Andrade Eu sou aquele cara que ainda frequenta agências bancárias. Me considero supertecnológico, pois me restrinjo aos caixas de autoatendimento, mas sim, vou lá. Familiares e amigos não se conformam e me mostram que até depósito de cheques pode ser feito via celular, mas fazer o quê? Eu meio que tento preservar esse quase extinto ritual de pequenos encontros sociais, estar perto e ouvir outras pessoas. Acho que fui o último moicano a frequentar locadoras e sinto

Angelo Davanço
3 de nov. de 20252 min de leitura


Entre a fofoca e o bom dia
Por Renato Andrade Nas primeiras vezes em que o caipira aqui foi a São Paulo, foram vários os encantos encontrados na capital. Os arranha-céus, as largas avenidas que mais pareciam um rio Amazonas de asfalto, a fartíssima programação cultural, o encanto da região central... enfim, tudo isso e muito mais para deslumbre de qualquer tibúrcio. Uma coisa também chamava atenção e gerava um certo choque: no ônibus, no metrô e nas ruas, as pessoas não se olhavam e muito menos se cump

Angelo Davanço
25 de out. de 20252 min de leitura


A alma ainda respira
Por Renato Andrade Quando os dois policiais americanos entram na viatura com seus donuts e copos térmicos com café aguado eu estou sentado no banco de trás. Acompanho sua conversa sobre a ranzinzice da esposa de uma deles atentamente. Desço algumas quadras depois a tempo de me emocionar com o diálogo entre o advogado picareta meio amalucado e seu irmão mais velho doido de pedra por inteiro. Resolvo espairecer e finalmente faço aquele tour completo pelo museu espanhol, vasculh

Angelo Davanço
17 de out. de 20251 min de leitura


Garotas no centro, garotas no shopping
Por Renato Andrade Garotas no centro são alegres. Geralmente andam em dupla ou trio e dão gargalhadas deliciosas quando uma delas tenta...

Angelo Davanço
11 de out. de 20251 min de leitura


Renato Andrade estreia coluna 'Rabisqueiraz' na Ribeirão Magazine
Tem gente nova (ou uma velha conhecida) chegando para colaborar com a Ribeirão Magazine . Renato Andrade é cartunista, ilustrador, roteirista, dublador e artista “prático”. Mais do que isso, Renatão é um observador. Daqueles raros, que sabem que uma boa história pode aparecer a qualquer momento e em qualquer lugar, como a que ele conta em O ritual , fruto de suas andanças, muitas vezes em Bonfim Paulista, mas desta vez, no bom e velho Jardim Irajá. Profissionalmente, fez a c

Angelo Davanço
3 de out. de 20251 min de leitura


O ritual
A cena acontece pelo menos uma vez por semana e está ao alcance público de quem por ali passar. O ritual se dá em plena rua do Irajá, envolvendo um casal na faixa dos setenta anos.

Angelo Davanço
29 de set. de 20252 min de leitura
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